Observo a movimentação aqui na Região de Campinas, e o que vejo me preocupa profundamente. As manchetes sobre feminicídio se acumulam, e a sociedade parece paralisada. Conheço muitas mulheres que administram a vida como você, Sofia, e eu já fui uma delas. Administramos a casa, a carreira, a imagem social, mas falhamos em administrar o risco que dorme ao nosso lado.
Vivemos no piloto automático até o dia do nosso mais profundo desespero. Para muitas, esse desespero chega tarde demais. Para você, que está lendo isso, espero que seja o momento em que pergunta a Deus: “Por quê?”. Querida, essa pergunta virou — ou desvirou — minha vida do avesso.
Foi uma avalanche de acontecimentos que trouxeram essas respostas sobre o ciclo da violência que culmina no feminicídio. Nós acreditamos que podemos mudar o próximo (o parceiro agressivo, o homem ciumento) e duvidamos que podemos — ou nem acreditamos que precisamos — mudar a nós mesmas, impondo limites intransponíveis. E o contrário é que é a verdade.
Neste artigo, vamos ter uma conversa franca e necessária. Não sobre estatísticas frias, mas sobre a anatomia emocional do feminicídio. Vamos entender como a intuição perde para o ego e passamos a não mais viver seguindo o que nos é essencial: a nossa própria sobrevivência e o motivo de sermos.
1. O Desespero como Bússola: O Primeiro Alerta do Feminicídio
Eu talvez nem diria que precisamos “mudar” (esse termo vai contra nossa própria essência), mas nos descobrir — ou redescobrir — para longe das garras de um relacionamento abusivo. Vivemos uma vida em que, a cada ano, somos soterrados por formas de como devemos agir, pensar, provar.
No contexto do feminicídio, essa pressão social é mortal.
- “Você tem que manter a família unida.”
- “Ele é um bom pai, só tem gênio forte.”
- “Mulher sábia edifica a casa (mesmo que a casa esteja caindo sobre a cabeça dela).”
A validação passa a ser o objetivo central, e as ferramentas passam a ser a manipulação e as narrativas falsas que contamos a nós mesmas para justificar a agressão. O feminicídio muitas vezes acontece porque a mulher está ocupada demais tentando provar que seu casamento é feliz, ignorando os sinais vitais de perigo.
A intuição perde para o ego. A intuição grita “corra”, mas o ego diz “fique e conserte-o”. E assim, passamos a não mais viver, mas a sobreviver em um campo minado.
2. A Ilusão de Controle e o “Dono” do Universo
Aqui entra um conceito que mudou minha vida e pode salvar a sua de um desfecho trágico como o feminicídio. Acontece que o universo tem dono, esse Dono manda na porra toda e Ele é muito competente.
Por que tantas mulheres morrem? Porque queremos fazer das nossas ações, as ações Dele.
Queremos ter o poder divino de transformar um homem violento em um príncipe. Queremos controlar a patologia do outro com nosso amor e paciência.
- Ao invés de fazermos somente o que nos cabe: ajudar a nós mesmas, nos dedicar aos nossos dons e talentos, estudar e aceitar a realidade dos fatos.
Somos seres apegados, estamos sempre trabalhando uns contra os outros. No ciclo da violência doméstica que precede o feminicídio, a mulher luta contra a natureza do agressor, tentando moldá-lo. Não somos competentes para executar o que nascemos para fazer se estivermos presas nessa batalha; simplesmente, como qualquer ser biológico, não.
Queremos sempre ter a prepotência de achar que sabemos mais do que Deus. Achamos que nosso amor é maior que o transtorno dele. O feminicídio é, muitas vezes, o resultado trágico dessa teimosia em não aceitar o que a realidade (e o Dono) está mostrando: que aquele lugar não é mais seguro.
3. Cérebro Reptiliano: A Anatomia da Agressão
Eu nunca mais permiti que o desrespeito ou a manipulação me atingissem. E como isso se aplica à prevenção do feminicídio? Entendendo a biologia do agressor.
Hoje, não sinto mais raiva, nem a ilusão de que posso curá-lo. Sinto um distanciamento cirúrgico. Visualizo esses comportamentos agressivos — o grito, a ameaça, a manipulação — apenas como reações de um cérebro reptiliano, programado para atacar e dominar.
No fim, o que restou foi a lucidez. Olho para aquela cena com a tristeza de quem observa um barco afundando e pensa: ‘é trágico, ele escolheu esse destino, mas eu não vou afundar junto‘. Aprendi a defender meu espaço de conforto emocional e minha integridade física para não sair do foco. A frieza emocional, nesse caso, não é crueldade; é o escudo que me mantém viva.
Muitas vítimas de feminicídio ficaram porque tentaram dialogar com um réptil. Tentaram usar lógica e afeto com alguém que estava operando no modo de ataque. Aprendi a defender meu espaço de conforto emocional para não sair do foco. E o foco é: manter-se viva e inteira.
A “vergonha alheia” é uma ferramenta de defesa. Quando você olha para o agressor não com medo, mas com desprezo pela imaturidade dele, você quebra o vínculo de submissão. Você recupera sua soberania.
4. O Paradigma do Desconforto: Sair para Sobreviver
Entretanto, por mais que isso pareça um paradigma, eu vivo os dias de maneira desconfortável — sempre fazendo muito mais o que não quero do que o que quero — para chegar onde preciso.
Para evitar o feminicídio, você terá que fazer o que não quer.
- Você não quer sair da sua casa, mas precisa.
- Você não quer denunciar o pai dos seus filhos, mas precisa.
- Você não quer pedir ajuda e expor sua vida, mas precisa.
O conforto da rotina conhecida é o corredor da morte. O desconforto da ruptura é o caminho da vida. Muitas mulheres permanecem no risco de feminicídio porque evitam o desconforto da separação, do julgamento social, da queda no padrão financeiro.
Mas eu te digo: escolha o desconforto que te mantém viva. O sofrimento da mudança é uma opção válida; o sofrimento da permanência pode ser fatal.
5. O Espelho da Realidade: O Mundo Externo é Você
Eu não sei em qual grau de consciência você está. Não sei se entende que o sofrimento é uma opção e que o mundo externo é puro reflexo de quem nos permitimos nos tornar, do que fazemos e pensamos.
Essa frase é dura, especialmente quando falamos de feminicídio. Não estou dizendo que a culpa é da vítima — jamais. O crime é responsabilidade integral do agressor. Mas a permissão para que o desrespeito continue habitando nosso espaço sagrado é nossa responsabilidade.
Se permitimos que nossa casa seja um palco de gritos, o mundo externo refletirá esse caos. Se nos tornamos pequenas, encolhidas e medrosas, atraímos mais opressão. Você acreditando ou não, nunca funcionará de forma diferente.
Para parar o ciclo do feminicídio, precisamos mudar quem nos permitimos nos tornar. Precisamos nos tornar mulheres que não negociam sua integridade. Mulheres que, ao primeiro sinal de desrespeito, retiram sua presença.
O negócio é sempre entre você e o Dono. E eu nunca mais O subestimo. Se Ele me deu intuição para sentir medo, eu respeito esse medo e ajo.
6. Os 7 Sinais que Precedem o Feminicídio (Quando o Ego Ignora)
Agora que entendemos a base filosófica e comportamental, vamos ser pragmáticas. O feminicídio dá sinais. O agressor avisa. E nós, cegas pelo ego de “salvadoras”, ignoramos.
I. O Isolamento Estratégico
Ele não diz “não vejo seus amigos”. Ele diz “eles não te valorizam como eu”. Ele corta suas raízes para que, quando ele atacar, você não tenha para onde cair.
II. A “Intensidade” que Sufoca
No início, parece conto de fadas. Ele quer estar com você 24 horas por dia. O ego adora isso. “Ele me ama tanto!”. A intuição sabe que isso é controle, não amor. O feminicídio é o ato final de posse de alguém que nunca te viu como pessoa, mas como objeto.
III. A Violência Patrimonial
Ele quebra seu celular. Chuta a porta. Rasga suas roupas. Entenda: ele está ensaiando. Quem soca uma parede tem a força e a intenção de socar um rosto. O cérebro reptiliano dele está testando seus limites.
IV. O Gaslighting (Distorção da Realidade)
Você questiona algo e ele diz que você está louca. Ele reescreve a história. Você começa a duvidar da sua sanidade. Isso enfraquece sua capacidade de reagir ao risco de feminicídio.
V. A Ameaça Velada (ou Explícita)
“Se você não for minha, não será de mais ninguém.” Muitas acham que isso é frase de filme ou excesso de paixão. Isso é uma promessa de feminicídio. Acredite na primeira vez que ouvir.
VI. O Controle Financeiro
Ele sabota seu trabalho ou controla seu dinheiro. Sem recursos, você não tem como fugir. A dependência financeira é uma das maiores aliadas do feminicídio.
VII. A Lua de Mel Macabra
Depois da agressão, vêm as flores, o choro, o arrependimento. “Eu vou mudar”. E você, querendo ter a prepotência de achar que sabe mais que Deus, acredita que pode mudá-lo. Não pode.
Tabela Comparativa: Relação Segura vs. Risco de Feminicídio
| Comportamento | Relacionamento Saudável (Essência) | Relacionamento de Risco (Caminho para o Feminicídio) |
| Conflito | Diálogo, busca de solução, respeito mútuo. | Grito, ofensa pessoal, punição física ou silêncio torturante. |
| Liberdade | Incentivo ao crescimento e individualidade. | Controle de roupas, horários e redes sociais. |
| Ciúmes | Sentimento natural, conversado com maturidade. | Justificativa para posse, agressão e isolamento. |
| Culpa | Responsabilidade compartilhada. | A vítima é culpada por “provocar” a agressão do outro. |
| Reação ao Término | Tristeza, luto, aceitação. | Ameaça de morte, perseguição, recusa em aceitar o fim. |
FAQ – Perguntas Urgentes sobre Sobrevivência
1. Ele ameaçou se matar se eu for embora. O que eu faço?
Isso é manipulação emocional clássica de quem tem perfil abusivo. Ligue para a polícia ou bombeiros, avise a família dele, mas vá embora. A vida dele é responsabilidade dele e do Dono. A sua vida é sua responsabilidade. Não fique por pena. A pena é o cimento do túmulo no feminicídio.
2. A medida protetiva realmente evita o feminicídio?
Ela é um instrumento legal crucial, mas não é um escudo físico. Ela criminaliza a aproximação, permitindo a prisão rápida. No entanto, sua estratégia pessoal (mudar rotas, sair da cidade se possível, rede de apoio) é o que garante a segurança imediata.
3. Por que sinto falta dele mesmo sendo agredida?
Porque o ciclo de violência vicia o cérebro em dopamina (nas reconciliações). É química, não amor. Você está em abstinência. Entenda isso como uma reação biológica e não ceda. A recaída pode ser o passo final para o feminicídio.
4. Como sair sem dinheiro?
O Estado e ONGs oferecem casas abrigo. Não deixe o orgulho (ego) te impedir de pedir ajuda. É melhor viver de favor por uns meses do que morrer com “dignidade” aparente dentro de uma casa de luxo.
5. O álcool e as drogas são a causa do feminicídio?
Não. Eles são catalisadores. O álcool remove o freio inibitório, mas a vontade de agredir e controlar já estava lá, no caráter e no cérebro reptiliano. Não aceite a desculpa “foi a bebida”. Foi ele.
6. Como recuperar a intuição depois de tanto tempo?
Comece pelo silêncio. Pare de perguntar aos outros o que fazer. Olhe para dentro. Aquele desconforto no estômago quando ele chega? É a sua intuição. Valide o que você sente. O seu corpo sabe o perigo antes da sua mente racionalizar.
Conclusão: O Negócio é Entre Você e a Vida
O feminicídio não é um destino inevitável; é um desfecho de uma rota que podemos — e devemos — alterar.
Eu não sei se você está lendo isso em segurança ou escondida no banheiro. Mas sei que, se chegou até aqui, uma parte de você, a parte que é conectada ao Dono, quer viver.
Nunca mais subestime a capacidade destrutiva de um ego ferido (o dele) e nunca mais subestime a sua própria força (a sua). Pare de tentar administrar a loucura alheia. Devolva a responsabilidade para quem de direito.
Defenda seu espaço de conforto emocional com a ferocidade de quem defende a própria vida — porque é exatamente isso que você está fazendo. Olhe para os comportamentos abusivos, sinta aquela vergonha alheia, vire as costas e caminhe em direção à saída.
Espero que encontre seu caminho. E que ele seja um caminho de vida, longe das estatísticas, perto da sua essência.
Se você precisa de um mapa para sair desse labirinto, reconstruir sua identidade e fortalecer sua blindagem emocional para nunca mais aceitar menos do que a soberania, o Rota Consciente é o manual de sobrevivência que você precisa.
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Fontes:
ONU Mulheres: Dados e prevenção ao Feminicídio
Fórum Brasileiro de Segurança Pública: Anuário Brasileiro de Segurança Pública





